Daniel Acosta, Paisagem de evasão, 20212021. Daniel Acosta
Novas Representações
Critical text for the new artists representation exhibition at VERVE, São Paulo
PDF (pt)
Critical text for the new artists representation exhibition at VERVE, São Paulo
PDF (pt)
11.02.2021–2.19.2022
VERVE, São Paulo, SP
Novas Representações
[Portuguese only]
Daniel Acosta (1967, Rio Grande - RS) explora a espacialidade em uma escala ampliada, desde o aumento proposital de motivos usualmente ornamentais e em pequena escala, até a própria relação humana com o espaço público, com a cidade e com o meio ambiente. O artista propõe pensar o espaço através da plataforma da escultura, mas para além das usuais escalas menores.
Ao fazê-lo, propõe um questionamento da tenuidade que separa as classificações contemporâneas entre escultura e instalação, com uma abordagem artística transdisciplinar com a arquitetura, o design, a geografia e a fenomenologia do espaço.
Uma das preocupações centrais do artista é a relação dos espectadores com suas obras no espaço, tornando-os, de certa forma, usuários. Acosta pensa o espaço ao retratar suas florestas e paisagens naturais em materiais sintéticos, permitindo o questionamento das interferências humanas no ambiente natural, reiterando que a própria noção de naturalidade é artificial.
Afinal, as intervenções humanas no ambiente deveriam ser consideradas naturais, na medida em que o ser humano molda o espaço às suas necessidades, como membro de um ecossistema? A artificialidade seria inerente à produção humana e à sua visão de natureza? A obra de Acosta possibilita uma leitura crítica quanto à insustentabilidade do trato humano com o meio ambiente, além de um estímulo a repensar maneiras justas de como os cidadãos se relacionam com o espaço das efervescentes cidades em que vivem.
Com um tom irônico, Acosta por vezes utiliza materiais extremamente estandardizados, como fórmicas que imitam madeira cortadas com máquinas a laser, para representar uma paisagem natural selvagem. A hostilidade não se encontra na selvageria da floresta, mas no pensamento agressivo do homem contemporâneo e nas suas dinâmicas de produção e de ocupação do espaço. Massas verdes de folhas que coroam copas de árvores se tornam planos vetoriais coloridos, convertidos a uma linguagem tecnológica para que máquinas pudessem replicá-los irrestrita e insustentavelmente.
O artista propõe esses recortes naturais que podem ser transportados, assim como nas tradições islâmicas, onde os tapetes funcionavam como jardins portáteis que poderiam ser levados a qualquer lugar, afim de que se mantivesse uma relação de veneração ao cuidado da natureza através da jardinagem. Revisita, na história da arte, a temática da representação de paisagens na pintura, na gravura e na fotografia, usualmente melancólicas. Ao olharmos essas paisagens portáteis, ao invés de escaparmos do mundo urbano – no sentido latino de fugere urbem –, somos reinserimos na artificialidade impressa pelo ser humano na paisagem.
Text originally published at the exhibition Novas Representações at VERVE, São Paulo, on view from November 2, 2021, to February 19, 2022
VERVE, São Paulo, SP
Novas Representações
[Portuguese only]
Daniel Acosta (1967, Rio Grande - RS) explora a espacialidade em uma escala ampliada, desde o aumento proposital de motivos usualmente ornamentais e em pequena escala, até a própria relação humana com o espaço público, com a cidade e com o meio ambiente. O artista propõe pensar o espaço através da plataforma da escultura, mas para além das usuais escalas menores.
Ao fazê-lo, propõe um questionamento da tenuidade que separa as classificações contemporâneas entre escultura e instalação, com uma abordagem artística transdisciplinar com a arquitetura, o design, a geografia e a fenomenologia do espaço.
Uma das preocupações centrais do artista é a relação dos espectadores com suas obras no espaço, tornando-os, de certa forma, usuários. Acosta pensa o espaço ao retratar suas florestas e paisagens naturais em materiais sintéticos, permitindo o questionamento das interferências humanas no ambiente natural, reiterando que a própria noção de naturalidade é artificial.
Afinal, as intervenções humanas no ambiente deveriam ser consideradas naturais, na medida em que o ser humano molda o espaço às suas necessidades, como membro de um ecossistema? A artificialidade seria inerente à produção humana e à sua visão de natureza? A obra de Acosta possibilita uma leitura crítica quanto à insustentabilidade do trato humano com o meio ambiente, além de um estímulo a repensar maneiras justas de como os cidadãos se relacionam com o espaço das efervescentes cidades em que vivem.
Com um tom irônico, Acosta por vezes utiliza materiais extremamente estandardizados, como fórmicas que imitam madeira cortadas com máquinas a laser, para representar uma paisagem natural selvagem. A hostilidade não se encontra na selvageria da floresta, mas no pensamento agressivo do homem contemporâneo e nas suas dinâmicas de produção e de ocupação do espaço. Massas verdes de folhas que coroam copas de árvores se tornam planos vetoriais coloridos, convertidos a uma linguagem tecnológica para que máquinas pudessem replicá-los irrestrita e insustentavelmente.
O artista propõe esses recortes naturais que podem ser transportados, assim como nas tradições islâmicas, onde os tapetes funcionavam como jardins portáteis que poderiam ser levados a qualquer lugar, afim de que se mantivesse uma relação de veneração ao cuidado da natureza através da jardinagem. Revisita, na história da arte, a temática da representação de paisagens na pintura, na gravura e na fotografia, usualmente melancólicas. Ao olharmos essas paisagens portáteis, ao invés de escaparmos do mundo urbano – no sentido latino de fugere urbem –, somos reinserimos na artificialidade impressa pelo ser humano na paisagem.
Text originally published at the exhibition Novas Representações at VERVE, São Paulo, on view from November 2, 2021, to February 19, 2022

Daniel Acosta, Paisagem de evasão, 2021