Julio Villani: Soberbas Coisas Ínfimas. São Paulo: Artist’s edition, 2024.
2024.    Julio Villani
Soberbas Coisas Ínfimas

Writing for the artist's monographic book, published by the artist

WEB


Julio Villani: Soberbas Coisas Ínfimas

Edited by Betina Zalcberg
Texts by Allegra Salé, Mateus Nunes, Renato Anelli, and Roberta Saraiva Coutinho
Published by the Artist, 2025 [São Paulo]
Bilingual [Portuguese/French], 102 pages
ISBN: 978-65-984-923-0-4

The publication brings together texts accompanying the body of projects by Julio Villani presented in São Paulo in 2023, linking two exhibitions held at institutions connected to the universe of Lina Bo Bardi. Allegra Salé provides an introduction to the artist’s trajectory and central concerns; Mateus Nunes contributes Museu de Tudo, a text devoted to the eponymous exhibition at the Casa de Vidro, held from September 2 to November 4, 2023; Roberta Saraiva Coutinho writes on Paraíso (aqui se borda, aqui se paga), presented at the Capela do Morumbi from October 14, 2023, to March 3, 2024; and Renato Anelli addresses the relationship between Villani’s practice and the legacy of Lina Bo Bardi. The book thus records and articulates these projects through different perspectives, emphasizing Villani’s interest in ordinary objects, reuse, artisanal practices, and the transformation of commonplace elements into poetic forms, in direct dialogue with Lina’s sustained attention to Brazilian material culture.
Mateus Nunes’s text, titled Museu de tudo, begins with the dialogue between Julio Villani’s exhibition and the Casa de Vidro itself, considering the displacement of everyday objects from their original functions as an operation that is simultaneously sculptural, poetic, and political. Nunes brings the animals constructed by the artist into proximity with Dadaist and Surrealist procedures, emphasizing Villani’s interest in linguistic fragments, wordplay, cross-translations, and cultural hybridisms as compositional devices. Drawing on Villani’s transatlantic trajectory between Brazil and Europe, the essay reads his assemblages as forms of passage between languages, nationalities, materials, and imaginaries, paralleling Lina Bo Bardi’s own migratory experience. The “museum of everything” thus emerges as a critical proposition against the logic of disposal and classification: by gathering discarded objects and placing them in new relations, Villani expands what may be regarded as worthy of attention, transforming the everyday into a perpetually hybrid and metamorphic field.

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Organizado por Betina Zalcberg
Textos por Allegra Salé, Mateus Nunes, Renato Anelli e Roberta Saraiva Coutinho
Publicado pelo artista, 2025 [São Paulo]
Bilíngue [Português/Francês], 102 páginas
ISBN: 978-65-984-923-0-4


A publicação reúne textos que acompanham o conjunto de projetos de Julio Villani apresentados no Morumbi em 2023, articulando duas exposições realizadas em instituições vinculadas ao universo de Lina Bo Bardi. A abertura de Allegra Salé introduz a trajetória e as questões centrais do artista; Mateus Nunes assina Museu de Tudo, texto dedicado à exposição homônima na Casa de Vidro, realizada de 2 de setembro a 4 de novembro de 2023; Roberta Saraiva Coutinho escreve sobre Paraíso (aqui se borda, aqui se paga), apresentado na Capela do Morumbi, de 14 de outubro de 2023 a 3 de março de 2024; e Renato Anelli aborda a relação entre a produção de Vilani e o legado de Lina Bo Bardi. A própria bibliografia do artista identifica o livro como a memória dos projetos realizados na Casa de Vidro e na Capela do Morumbi. As exposições enfatizam o interesse de Vilani por objetos ordinários, reaproveitamento, práticas artesanais e pela transformação de elementos banais em formas poéticas, em diálogo direto com a atenção de Bo Bardi à cultura material brasileira.
O texto de Mateus Nunes, intitulado Museu de tudo, parte do diálogo entre a exposição de Júlio Villani e a própria Casa de Vidro para pensar o deslocamento de objetos cotidianos de suas funções originais como uma operação simultaneamente escultórica, poética e política. Nunes aproxima os animais construídos pelo artista de procedimentos dadaístas e surrealistas, destacando seu interesse por fragmentos linguísticos, jogos de palavras, traduções cruzadas e hibridismos culturais como mecanismos de composição. A partir da trajetória transatlântica de Villani entre Brasil e Europa, o ensaio lê suas assemblages como formas de trânsito entre idiomas, nacionalidades, materiais e imaginários, em paralelo à própria experiência migratória de Lina Bo Bardi. O “museu de tudo” torna-se, assim, uma proposição crítica diante da lógica do descarte e da classificação: ao recolher objetos abandonados e conferir-lhes novas relações, Villani amplia aquilo que pode ser percebido como digno de atenção, transformando o cotidiano em um campo permanentemente híbrido e metamórfico.