
Metta Pracrutti, Monsoon, 2025, 36th Bienal de São Paulo, São Paulo, installation view
2026. Metta Pracrutti
Not All Travellers Walk Roads: Of Humanity as Practice
Essay published in the 36th Bienal de São Paulo catalog about the artist’s practice
WEB
Essay published in the 36th Bienal de São Paulo catalog about the artist’s practice
WEB
Metta Pracutti is an informal group of artists that came together on the occasion of the 36th Bienal de São Paulo to collectively develop a project that reflects on the sociocultural and political dynamics shaping the experiences of marginalized communities. Their work is grounded in their own experience of discrimination for being considered part of the Dalit caste, also known as the “untouchables.”
Although the Indian Constitution officially abolished the caste system and untouchability in 1950, caste remains a significant force in Indian society. Despite this legal framework, social practices and cultural norms continue to perpetuate caste-based discrimination, influencing social interactions, marriage practices, and access to resources. This exclusion extends beyond the social sphere to include collective punishments, such as restricted access to water and the systematic imposition of degrading labor. Oppression is enforced without justification, becoming a crime without guilt. True freedom, therefore, cannot be achieved without dismantling the religious foundations that uphold the caste system. Legal freedom can only become meaningful when accompanied by social and cultural liberation, enabling Dalits to live without discrimination.
The project’s title, Monsoon (2025), refers to the seasonal winds that alternate between rainy and dry periods in tropical and subtropical regions. It serves as a powerful metaphor for the intense yet interconnected shifts that affect these realities. The group challenges the sociopolitical structures of segregation in India while embracing diverse artistic forms to promote a holistic view of the lived experiences of various communities.
Through works by distinct artists, Monsoon explores themes such as identity, resistance, and power relations. The variety of media – including videos, woodcuts, embroidery, installations, and paintings – reflects both the individuality of each artist and the unity of a collective movement advocating for social justice and human rights. Each piece carries a history of resistance against exclusion and is situated within a broader context of questioning social and cultural norms. The metaphor of the monsoon, evoking the alternation between intensity and calm, also mirrors the experience of these communities, who, though subjected to cycles of oppression, continue to demonstrate unwavering resilience.
The group is composed of: Abin Sreedharan K P, Bhushan Dilip Bhombale, Malvika Raj, Mayuri Madhu Chari, Mohammed Mukhtar Abdul Rauf Kazi, Parag Kashinath Tandel, Prabhakar Kamble, Rajyashri Rose Goody, Kumari Ranjeeta, Sagar Kamble, Sreeju Radhakrishnan, Sumesh Sharma, Tejswini Narayan Sonawane, Vikrant Vishwas Bhise, Ruivah Shimray Zamthingla, and Somnath Baburao Waghamare.
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Metta Pracutti é um grupo informal de artistas que se reuniu por ocasião da 36ª Bienal de São Paulo para desenvolver de forma coletiva um projeto que reflete sobre as dinâmicas socioculturais e políticas que moldam as experiências de comunidades marginalizadas. Seu trabalho se baseia nas próprias vivências de discriminação por serem considerados parte da casta Dalit, também conhecida como “intocáveis”.
Embora a Constituição da Índia tenha abolido oficialmente o sistema de castas e a prática da intocabilidade em 1950, a casta continua sendo uma força significativa na sociedade indiana. Apesar desse marco legal, práticas sociais e normas culturais seguem perpetuando a discriminação baseada na divisão, influenciando interações sociais, casamentos e o acesso a recursos. Essa exclusão vai além do campo social, incluindo punições coletivas, como o acesso restrito à água e a imposição sistemática de trabalhos considerados degradantes. A opressão é imposta sem justificativa, tornando-se um crime sem culpa. A verdadeira liberdade, portanto, só pode ser alcançada com o desmantelamento dos fundamentos religiosos que sustentam o sistema de castas. A liberdade legal só se torna significativa quando acompanhada de uma libertação social e cultural, permitindo que Dalits vivam sem discriminação.
O título do projeto, Monsoon [Monção] (2025), refere-se aos ventos sazonais que alternam entre períodos de chuva e seca em regiões tropicais e subtropicais. A monção funciona como uma metáfora potente para as transformações intensas, porém interconectadas, que impactam essas realidades. O grupo desafia as estruturas sociopolíticas de segregação na Índia ao mesmo tempo que abraça formas artísticas diversas para promover uma visão holística das experiências vividas por diferentes comunidades.
Por meio de obras de artistas distintos, Monsoon explora temas como identidade, resistência e relações de poder. A variedade de técnicas – incluindo vídeos, xilogravuras, bordados, instalações e pinturas – reflete tanto a individualidade de cada artista quanto a unidade de um movimento coletivo em defesa da justiça social e dos direitos humanos. Cada obra carrega uma história de resistência à exclusão e está situada em um contexto mais amplo de questionamento das normas sociais e culturais. A metáfora da monção que evoca a alternância entre intensidade e calmaria, também espelha a experiência dessas comunidades, que, embora submetidas a ciclos de opressão, seguem demonstrando uma resiliência inabalável.
O grupo é composto por: Abin Sreedharan K P, Bhushan Dilip Bhombale, Malvika Raj, Mayuri Madhu Chari, Mohammed Mukhtar Abdul Rauf Kazi, Parag Kashinath Tandel, Prabhakar Kamble, Rajyashri Rose Goody, Kumari Ranjeeta, Sagar Kamble, Sreeju Radhakrishnan, Sumesh Sharma, Tejswini Narayan Sonawane, Vikrant Vishwas Bhise, Ruivah Shimray Zamthingla e Somnath Baburao Waghamare.
Text originally published in Bonaventure Soh Bejeng Ndikung (Ed.). 36a. Bienal de São Paulo: Nem todo viandante anda estradas: Da humanidade como prática. São Paulo: Bienal de São Paulo, 2025
Although the Indian Constitution officially abolished the caste system and untouchability in 1950, caste remains a significant force in Indian society. Despite this legal framework, social practices and cultural norms continue to perpetuate caste-based discrimination, influencing social interactions, marriage practices, and access to resources. This exclusion extends beyond the social sphere to include collective punishments, such as restricted access to water and the systematic imposition of degrading labor. Oppression is enforced without justification, becoming a crime without guilt. True freedom, therefore, cannot be achieved without dismantling the religious foundations that uphold the caste system. Legal freedom can only become meaningful when accompanied by social and cultural liberation, enabling Dalits to live without discrimination.
The project’s title, Monsoon (2025), refers to the seasonal winds that alternate between rainy and dry periods in tropical and subtropical regions. It serves as a powerful metaphor for the intense yet interconnected shifts that affect these realities. The group challenges the sociopolitical structures of segregation in India while embracing diverse artistic forms to promote a holistic view of the lived experiences of various communities.
Through works by distinct artists, Monsoon explores themes such as identity, resistance, and power relations. The variety of media – including videos, woodcuts, embroidery, installations, and paintings – reflects both the individuality of each artist and the unity of a collective movement advocating for social justice and human rights. Each piece carries a history of resistance against exclusion and is situated within a broader context of questioning social and cultural norms. The metaphor of the monsoon, evoking the alternation between intensity and calm, also mirrors the experience of these communities, who, though subjected to cycles of oppression, continue to demonstrate unwavering resilience.
The group is composed of: Abin Sreedharan K P, Bhushan Dilip Bhombale, Malvika Raj, Mayuri Madhu Chari, Mohammed Mukhtar Abdul Rauf Kazi, Parag Kashinath Tandel, Prabhakar Kamble, Rajyashri Rose Goody, Kumari Ranjeeta, Sagar Kamble, Sreeju Radhakrishnan, Sumesh Sharma, Tejswini Narayan Sonawane, Vikrant Vishwas Bhise, Ruivah Shimray Zamthingla, and Somnath Baburao Waghamare.
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Metta Pracutti é um grupo informal de artistas que se reuniu por ocasião da 36ª Bienal de São Paulo para desenvolver de forma coletiva um projeto que reflete sobre as dinâmicas socioculturais e políticas que moldam as experiências de comunidades marginalizadas. Seu trabalho se baseia nas próprias vivências de discriminação por serem considerados parte da casta Dalit, também conhecida como “intocáveis”.
Embora a Constituição da Índia tenha abolido oficialmente o sistema de castas e a prática da intocabilidade em 1950, a casta continua sendo uma força significativa na sociedade indiana. Apesar desse marco legal, práticas sociais e normas culturais seguem perpetuando a discriminação baseada na divisão, influenciando interações sociais, casamentos e o acesso a recursos. Essa exclusão vai além do campo social, incluindo punições coletivas, como o acesso restrito à água e a imposição sistemática de trabalhos considerados degradantes. A opressão é imposta sem justificativa, tornando-se um crime sem culpa. A verdadeira liberdade, portanto, só pode ser alcançada com o desmantelamento dos fundamentos religiosos que sustentam o sistema de castas. A liberdade legal só se torna significativa quando acompanhada de uma libertação social e cultural, permitindo que Dalits vivam sem discriminação.
O título do projeto, Monsoon [Monção] (2025), refere-se aos ventos sazonais que alternam entre períodos de chuva e seca em regiões tropicais e subtropicais. A monção funciona como uma metáfora potente para as transformações intensas, porém interconectadas, que impactam essas realidades. O grupo desafia as estruturas sociopolíticas de segregação na Índia ao mesmo tempo que abraça formas artísticas diversas para promover uma visão holística das experiências vividas por diferentes comunidades.
Por meio de obras de artistas distintos, Monsoon explora temas como identidade, resistência e relações de poder. A variedade de técnicas – incluindo vídeos, xilogravuras, bordados, instalações e pinturas – reflete tanto a individualidade de cada artista quanto a unidade de um movimento coletivo em defesa da justiça social e dos direitos humanos. Cada obra carrega uma história de resistência à exclusão e está situada em um contexto mais amplo de questionamento das normas sociais e culturais. A metáfora da monção que evoca a alternância entre intensidade e calmaria, também espelha a experiência dessas comunidades, que, embora submetidas a ciclos de opressão, seguem demonstrando uma resiliência inabalável.
O grupo é composto por: Abin Sreedharan K P, Bhushan Dilip Bhombale, Malvika Raj, Mayuri Madhu Chari, Mohammed Mukhtar Abdul Rauf Kazi, Parag Kashinath Tandel, Prabhakar Kamble, Rajyashri Rose Goody, Kumari Ranjeeta, Sagar Kamble, Sreeju Radhakrishnan, Sumesh Sharma, Tejswini Narayan Sonawane, Vikrant Vishwas Bhise, Ruivah Shimray Zamthingla e Somnath Baburao Waghamare.
Text originally published in Bonaventure Soh Bejeng Ndikung (Ed.). 36a. Bienal de São Paulo: Nem todo viandante anda estradas: Da humanidade como prática. São Paulo: Bienal de São Paulo, 2025




Metta Pracrutti, Monsoon, 2025, 36th Bienal de São Paulo, São Paulo, installation views