
Rebeca Carapiá, Como criar raízes aéreas, 2025, 36th Bienal de São Paulo, São Paulo, installation view
2026. Rebeca Carapiá
Not All Travellers Walk Roads: Of Humanity as Practice
Essay published in the 36th Bienal de São Paulo catalog about the artist’s practice
WEB
Essay published in the 36th Bienal de São Paulo catalog about the artist’s practice
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For the works on show at the 36th Bienal de São Paulo, Rebeca Carapiá studied the walking palm – also known as paxiúba or by its scientific name, Socratea exorrhiza. This tree, found in the Amazon River basin and Central America, has sturdy, tangled aerial roots that are not buried but exposed above the ground, and which, over time, move around. They grow toward the sun in search of water and nutrients, while the roots that remain in the shade rot and die, serving as organic matter for the generation of new branches. Of significant visual power, the tree expands its branches throughout the space and encourages us to think about ancestral foundations that are dynamically transformed over time, embodying resilience and mobile foundations through intricate geometry.
The drawings of their roots also connect with the characteristic forms of Carapiá’s practice, focused on the formation and expansion of languages, in which abstract compositions are made with copper, iron, and solder. Their sinuous lines rehearse and perpetuate paths, wanderings, and walks, materializing the synthesis of an existence in movement – and of walking itself as an artistic, epistemic, and life methodology. Evincing dialogues that are usually neglected, such as sensitive perception, the mirrored and moved understanding of the present, and the mastery of materials that are often linked to violent masculinity, Carapiá emphasizes a desiring and liberating drive to create a philosophical body – or endowing an entity with a body in pure language.
The artist presents her sculptures as celebrations of the stages that formed them, from collective and shared production to overcoming technical challenges and socio-historical obstacles. They emphasize the ambivalent oscillation of simultaneously opening up in flourishes and retracting in formal synthesis, filling space while incorporating its voids, rehearsing a lightness of movement despite the inescapable weight of the material, or even inhabiting an integrating zone between drawing, sculpture, and installation – or between monument and filigree. Carapiá invites us to understand that there is no contradiction between being anchored to the ancestral ground and taking flight.
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Para as obras expostas na 36ª Bienal de São Paulo, Rebeca Carapiá debruçou-se sobre o estudo da palmeira-andante – também conhecida como paxiúba ou por seu nome científico, Socratea exorrhiza. Essa árvore, presente na bacia do rio Amazonas e na América Central, tem robustas e emaranhadas raízes aéreas que não ficam soterradas, mas expostas sobre a terra, e que, com o tempo, movimentam-se. Elas crescem em direção ao sol e à procura de água e nutrientes, enquanto as raízes que permanecem na sombra apodrecem, morrem e servem de matéria orgânica para a geração de novas tramas. Com significativa imponência visual, a árvore expande suas ramificações pelo espaço e nos instiga a pensar sobre fundações ancestrais que se transformam dinamicamente com o tempo, corporificando resiliência e fundações móveis através de intricada geometria.
Os desenhos de suas raízes também se conectam com as formas características da prática de Carapiá, que se concentra na formação e na expansão de linguagens, em que composições abstratas são feitas com cobre, ferro e solda. Suas linhas sinuosas ensaiam e perpetuam trajetos, deambulações e caminhadas, materializando a síntese de uma existência em movimento – e da própria andança como metodologia artística, epistêmica e de vida. Evidenciando diálogos usualmente negligenciados, como as percepções sensíveis, a compreensão espelhada e movimentada do presente e o domínio de materiais frequentemente atrelados à masculinidade violentadora, Carapiá enfatiza uma pulsão desejante e libertadora da criação de um corpo filosófico – ou de dotar uma entidade de corpo em pura linguagem.
A artista apresenta suas esculturas como celebrações das etapas que as formaram, desde a produção coletiva e compartilhada até a superação de desafios técnicos e de obstáculos sócio-históricos. Elas acentuam a oscilação ambivalente de, ao mesmo tempo, abrirem-se em floreios e retraírem-se na síntese formal, preencherem o espaço e incorporarem seus vazios, ensaiarem uma leveza de movimento apesar do peso matérico incontornável, ou mesmo habitarem uma zona integradora entre desenho, escultura e instalação – ou entre monumento e filigrana. Carapiá convida a compreender que não há contradição entre estar afincada no chão ancestral e alçar voo.
Text originally published in Bonaventure Soh Bejeng Ndikung (Ed.). 36a. Bienal de São Paulo: Nem todo viandante anda estradas: Da humanidade como prática. São Paulo: Bienal de São Paulo, 2025
The drawings of their roots also connect with the characteristic forms of Carapiá’s practice, focused on the formation and expansion of languages, in which abstract compositions are made with copper, iron, and solder. Their sinuous lines rehearse and perpetuate paths, wanderings, and walks, materializing the synthesis of an existence in movement – and of walking itself as an artistic, epistemic, and life methodology. Evincing dialogues that are usually neglected, such as sensitive perception, the mirrored and moved understanding of the present, and the mastery of materials that are often linked to violent masculinity, Carapiá emphasizes a desiring and liberating drive to create a philosophical body – or endowing an entity with a body in pure language.
The artist presents her sculptures as celebrations of the stages that formed them, from collective and shared production to overcoming technical challenges and socio-historical obstacles. They emphasize the ambivalent oscillation of simultaneously opening up in flourishes and retracting in formal synthesis, filling space while incorporating its voids, rehearsing a lightness of movement despite the inescapable weight of the material, or even inhabiting an integrating zone between drawing, sculpture, and installation – or between monument and filigree. Carapiá invites us to understand that there is no contradiction between being anchored to the ancestral ground and taking flight.
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Para as obras expostas na 36ª Bienal de São Paulo, Rebeca Carapiá debruçou-se sobre o estudo da palmeira-andante – também conhecida como paxiúba ou por seu nome científico, Socratea exorrhiza. Essa árvore, presente na bacia do rio Amazonas e na América Central, tem robustas e emaranhadas raízes aéreas que não ficam soterradas, mas expostas sobre a terra, e que, com o tempo, movimentam-se. Elas crescem em direção ao sol e à procura de água e nutrientes, enquanto as raízes que permanecem na sombra apodrecem, morrem e servem de matéria orgânica para a geração de novas tramas. Com significativa imponência visual, a árvore expande suas ramificações pelo espaço e nos instiga a pensar sobre fundações ancestrais que se transformam dinamicamente com o tempo, corporificando resiliência e fundações móveis através de intricada geometria.
Os desenhos de suas raízes também se conectam com as formas características da prática de Carapiá, que se concentra na formação e na expansão de linguagens, em que composições abstratas são feitas com cobre, ferro e solda. Suas linhas sinuosas ensaiam e perpetuam trajetos, deambulações e caminhadas, materializando a síntese de uma existência em movimento – e da própria andança como metodologia artística, epistêmica e de vida. Evidenciando diálogos usualmente negligenciados, como as percepções sensíveis, a compreensão espelhada e movimentada do presente e o domínio de materiais frequentemente atrelados à masculinidade violentadora, Carapiá enfatiza uma pulsão desejante e libertadora da criação de um corpo filosófico – ou de dotar uma entidade de corpo em pura linguagem.
A artista apresenta suas esculturas como celebrações das etapas que as formaram, desde a produção coletiva e compartilhada até a superação de desafios técnicos e de obstáculos sócio-históricos. Elas acentuam a oscilação ambivalente de, ao mesmo tempo, abrirem-se em floreios e retraírem-se na síntese formal, preencherem o espaço e incorporarem seus vazios, ensaiarem uma leveza de movimento apesar do peso matérico incontornável, ou mesmo habitarem uma zona integradora entre desenho, escultura e instalação – ou entre monumento e filigrana. Carapiá convida a compreender que não há contradição entre estar afincada no chão ancestral e alçar voo.
Text originally published in Bonaventure Soh Bejeng Ndikung (Ed.). 36a. Bienal de São Paulo: Nem todo viandante anda estradas: Da humanidade como prática. São Paulo: Bienal de São Paulo, 2025



Rebeca Carapiá, Como criar raízes aéreas, 2025, 36th Bienal de São Paulo, São Paulo, installation views